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Castelo de Palmela

Período Islâmico

O impressionante domínio visual do castelo de Palmela, sobre os estuários do Tejo e do Sado, determinou desde cedo o rumo político-militar da fortaleza.
O cerro de Palmela foi escolhido pelos líderes omíadas para a construção de uma sólida fortaleza e para a instalação da sua residência e das acomodações da guarnição, numa altura em que a instabilidade na região era grande. O castelo de Palmela desempenhava, com os de Coina-a-Velha e de Sesimbra, um papel estratégico na organização da vigilância e da defesa de toda a região inter-estuarina.

Ponto fulcral do projeto de investigação «Muçulmanos e Cristãos na península da Arrábida: o castelo de Palmela e a ruralidade envolvente», a alcáçova do castelo foi objeto de escavações arqueológicas entre 1992 e 2005, com resultados importantes para todo o período islâmico, entre os sécs. VII/IX e o séc. XII. As evidências do quotidiano da guarnição e dos governantes da praça, ao longo de cerca de quatro séculos, encontram-se não só nos elementos arquitetónicos mas também nos recipientes cerâmicos que usavam, nos restos alimentares que consumiam, nos instrumentos, adornos e objetos de entretenimento, nas armas e projeteis com que guerreavam.


Período Cristão

As funcionalidades estratégicas do castelo acentuaram-se no séc. XII com as investidas cristãs e com a instalação das hostes da Ordem de Santiago, em 1186, quando o castelo é doado aos freires cavaleiros. A partir de 1194, quando Palmela volta à posse cristã e Alcácer se transforma num poderoso reduto almóada, a milícia de Santiago terá feito edificar na alcáçova do castelo de Palmela um convento-sede, com valências de aquartelamento militar, preparado para enfrentar o avanço português nas terras muçulmanas a sul, e aqui terá permanecido até 1217. As investigações arqueológicas permitiram clarificar esta situação, através da identificação na alcáçova de uma necrópole de freires cavaleiros da Ordem de Santiago, de finais do séc. XII/inícios do XIII e de vestígios estruturais que podem associar-se ao primitivo edifício-sede.

Com D. João I a sede da Ordem de Santiago de Santiago é definitivamente transferida para Palmela. É então que se constroem a Igreja e o Convento de Santiago, concluídos em 1482.

Os séculos XII, XIII e XIV são os melhores legendados nas escavações da alcáçova do castelo e da sacristia da Igreja de Santa Maria. Para além dos já citados elementos de armamento e de várias moedas da primeira dinastia, são abundantes as cerâmicas de uso comum, com nota particular para os cântaros e canequinhas.


Período Moderno

No séc. XVI, com D. Jorge, filho bastardo do rei João II e último mestre da Ordem de Santiago, o castelo e o convento beneficiaram de melhoramentos e alterações, bem patentes nas visitações por ele ordenadas. A conclusão das obras deste último convento deverá ter ocorrido em inícios do séc. XVIII.

Através da escavação arqueológica realizada em 2003, no pátio da Igreja de Santiago, foi possível concluir que o novo convento da Ordem não aproveitou anteriores estruturas neste espaço e sofreu várias obras de remodelação ao longo dos sécs. XVIII e XIX. O espólio exumado, dos séculos XVII e XVIII, inclui objetos quotidianos, alguns com características lúdicas, ornamentais e simbólicas, fragmentos de azulejos e grande percentagem de cerâmicas comuns, faianças e algumas cerâmicas de importação. Neste período o convento personalizava a sua loiça, encomendando faianças pintadas a azul com a cruz-espada de Santiago e a inscrição: CONVENTO.

O período moderno foi igualmente documentado na alcáçova mas sem a expressão de outras épocas. Porém, nas sondagens realizadas no exterior da muralha norte, onde se definiu o traçado do antigo fosso, recolheram-se variadas espécies cerâmicas, algumas de origem valenciana.

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