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Busto de José Maria dos Santos

José Maria dos Santos (1832-1913)

José Maria dos Santos (1832-1913), filho de um ferreiro ou ferrador de Lisboa, transformou-se no maior viticultor português fruto de uma capacidade de gestão empresarial única na época. Com formação em medicina veterinária, foi um dos fundadores da Associação Central da Agricultura Portuguesa, fez parte do Conselho Fiscal do Banco de Portugal, e desenvolveu uma carreira política, destacando-se como deputado e Par do Reino.

A sua ação foi fulcral para o desenvolvimento agrícola e a colonização da área de Rio Frio-Poceirão. Recorreu a incentivos para fixação de trabalhadores, ao uso de fertilizantes químicos, à aplicação de novos métodos de cultivo – como a seleção de sementes e o recurso a maquinaria agrícola inovadora – e à criação de canais de escoamento de produção; aplicou estes métodos nas suas herdades de Rio Frio, Palma e Machados. Este busto constitui uma homenagem dos seus rendeiros, prestada em 1916, no largo homónimo de Pinhal Novo.

Este monumento, situado em frente da Igreja de São José, próximo do Coreto, no jardim e no largo com o nome do homenageado, constitui uma adequada memória ao grande agricultor e benemérito local José Maria dos Santos (1831-1913), mandada erguer pelos seus rendeiros em 1916. Este bonito monumento encontra-se enquadrado por um lago recente e é formado por uma estrutura de pedra, esculpida, e pelo busto de bronze do benemérito, assinado pelo escultor Costa Motta Sobrinho.

O pedestal, com dois degraus, apresenta na frente uma lápide com a seguinte legenda:

JUSTA HOMENAGEM
DOS SEUS ANTIGOS RENDEIROS
NOVEMBRO DE 1916.

A alta estrutura, tripartida, é amparada dos lados por duas volutas apoiadas no segundo degrau, cujos perfis apresentam uma decoração de parras e cachos de uvas, ligeiramente relevadas. Uma placa de bronze centrada por uma colmeia com três abelhas e em forma de brasão encosta-se à parte inferior da estrutura, revestida com um baixo-relevo onde estão representadas alfaias agrícolas – uma pá, um ancinho, uma foice e uma enxada – entrelaçadas por uma fita que empresta movimento à composição. Na parte central da estrutura, implanta-se uma imitação de tabuleta de madeira, centrada pela seguinte inscrição:

AO BENEMERITO
E
INSIGNE LAVRADOR
JOSÉ MARIA
DOS
SANTOS
1832-1913

O pormenor escultórico mais belo de todo este pedestal encontra-se nas vides retorcidas que brotam por baixo desta inscrição, emoldurando-a através de parras e de cachos de uvas de realização bastante expressiva e acentuado carácter «Arte Nova», e que poderá ser da mão do próprio Costa Motta. Entre esta composição central e o remate, encontra-se um ábaco demasiado volumoso e de desenho grosseiro, que poderia não estar previsto inicialmente, já que o remate parece prolongar os suportes da tabuleta do centro, rematando-os com dois pequenos enrolamentos (um deles já fraturado), e um anel central de onde se destacam quatro espigas de trigo. Apesar da qualidade escultórica de alguns destes pormenores, que sugerem uma intervenção direta de Costa Motta, ou a utilização de desenhos deste escultor, a conceção deste pedestal é bastante confusa e as suas partes mal articuladas entre si, o que pode ser resultado do trabalho de canteiros pouco habilitados.

O busto de bronze é, pelo contrário, uma magnífica escultura de pendor naturalista, mas sem pormenorização excessiva, que transmite uma imagem de força e de serenidade do retratado através do tratamento seguro dos volumes que revelam um excelente escultor. A assinatura C. Motta e a data de 1916 encontram-se na parte posterior, nas costas do ombro esquerdo. Esta assinatura pode levantar dúvidas entre o escultor Costa Motta, Tio (1862-1930) e o escultor e ceramista Costa Motta, Sobrinho (1877-1956), mas pela grafia da assinatura e o carácter da obra, é com toda a probabilidade um trabalho do segundo. António Augusto da Costa Motta foi um notável artista, nascido em Coimbra, que após ter tido aprendizado com seu tio homónimo, foi estagiar a Paris em 1904-1905, no atelier do escultor Injalbert e, após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, tornou-se diretor artístico da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, em 1908. A partir de 1914, e em especial após o encerramento definitivo da Fábrica das Caldas, em 1916, até iniciar o projeto da Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves (mais tarde Escola António Arroio, inaugurada em 1928), Costa Motta Sobrinho dedicou-se essencialmente à escultura, no seu atelier de Lisboa. Fez, nomeadamente, diversos bustos de mármore e alguns de bronze, sobretudo de várias figuras públicas, quase sempre por encomenda, como este busto de José Maria dos Santos, em Pinhal Novo, é um bom e esclarecedor exemplo.

Bibliografia:

SERRÃO, Vítor e MECO; José Palmela Histórico-Artística. Um inventário do Património concelhio, Palmela/Lisboa: C.M.Palmela/Ed. Colibri, 2007.

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