Centro Histórico da Vila de Palmela
O Centro Histórico de Palmela apresenta características particulares que lhe conferem uma identidade muito própria. Trata-se de uma vila não muralhada encimada pelo Castelo, que se desenvolveu ao longo encosta voltada para Norte, ajustando-se ao seu relevo acidentado.
O núcleo pré-urbano terá surgido inicialmente na cerca onde se implantou a alcáçova e talvez a Medina. Verifica-se uma ocupação muçulmana ininterrupta da alcáçova do castelo desde meados do séc. 8 e 9 até à reconquista, no séc. 12. A partir deste século, a população desloca-se para o Arrabalde com uma ocupação cujo traçado urbano se adapta às condições topográficas e defensivas, através de ruas estreitas, travessas, becos, labirintos e escadas. As casas apresentam soluções arquitectónicas e técnicas construtivas de cariz defensivo com escassas fenestrações.
A Rua Direita, actual Rua Contra Almirante Jaime Afreixo, era a artéria mais importante da vila, tanto pela densidade de ocupação como pelo atravessamento quase total da vila, da qual irradiavam eixos secundários (ruas e travessas com escadarias). As travessas desenvolveram-se a partir das direcções de maior declive, acompanhando as curvas de nível, correspondendo provavelmente aos caminhos pré-existentes.
Na época dos Descobrimentos Palmela ganha duas novas Igrejas - Igreja da Misericórdia (Imóvel de Interesse Municipal, em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público) e a nova Igreja Matriz de S. Pedro, assim como o Pelourinho (Monumento Nacional). O Castelo e a Igreja de Santiago (Monumentos Nacionais) perdem importância e surge um novo pólo dinamizador - o Largo do Município - onde se desenvolvem actividades religiosas, administrativas, económicas e onde se inicia também um novo crescimento urbano. Com dois pólos opostos estruturantes - Lg. d’Él Rei D. João I (antigo Lg. do Rossio) e o Largo do Município, onde se localiza também o edifício dos Paços do Concelho, a vila acabou por consolidar-se no séc. 16, densificando-se até ao séc. 18 com um traçado linear e quarteirões de lote estreito.
O Chafariz de D. Maria I, Imóvel de Interesse Municipal, data do séc. 18. Nos séc. 19 e 20, o edificado existente articula-se com a área de expansão urbana de malha reticulada (designada por Zona de Transição), através de quarteirões reguladores de uma malha ortogonal intencional, apoiada em dois espaços públicos estruturantes: o Largo do Touril, a Poente, (actual Largo 5 de Outubro) com ligação ao Largo do Município e o Largo S. João, a Norte, onde se localiza a Capela de S. João Baptista, datada do séc. 17 e classificada como Imóvel de Valor Concelhio.
O espaço construído, com os seus tipos arquitectónicos dominantes, congrega um núcleo urbano com características muito particulares. O casario acompanha a morfologia do terreno, resumindo-se a arquitectura civil corrente a casas térreas, com ou sem chaminé (com ou sem ressalto) e algumas com assimetria na disposição dos vãos, revelando a sua origem medieval.
O poder económico de algumas famílias ligadas à cultura vitivinícola nos séc. 19 e 20, manifesta-se em “casas- quarteirão” que ocupam lotes de dimensões significativas na sua totalidade, com especial incidência na zona de expansão do séc. 20 (Zona de Transição). Estes tipos arquitectónicos, característicos da vila, têm 1 ou 2 pisos e integram adegas de produção própria na maioria dos casos. Existem outras adegas mais modestas, de lotes menores e de arquitectura mais simplista, espalhadas por todo o núcleo.
Na arquitectura civil corrente, destacam-se pormenores arquitectónicos nas casas do burgo medieval como: arestas boleadas nos vãos, varandas constituídas por balcão de sacada com hastes cilíndricas aneladas em ferro forjado, óculo na zona da escada de acesso ao segundo piso, que a iluminava naturalmente. O tipo de cobertura tradicional deste núcleo foi o telhado de tesouro.

Nos finais do séc. 19, surge o uso da platibanda decorada, por vezes encimada por balaustradas e faianças, que vem alterar a composição das fachadas. Na zona de expansão de finais do séc. 19 e do séc. 20, a Norte da vila, surgem casas abastadas com cantarias nos vãos, elementos trabalhados em argamassa na fachada, azulejo cerâmico de revestimento nas fachadas e painéis que retratam cenas da vida quotidiana da vindima, integrados na linguagem Arte Nova.
No sentido de esclarecer os munícipes e técnicos sobre o licenciamento urbanístico no Centro Histórico de Palmela, foi desenvolvido/criado o GUIA INFORMATIVO PARA O LICENCIAMENTO, que agora se divulga nesta página da Câmara.
|

|
Centro Histórico Guia Informativo para Licenciamento (formato pdf) |
Versão ainda não actualizada face às alterações introduzidas pelo Decreto Lei n.º 26/2010 de 30 de Março ao Decreto Lei n.º 555/1999, de 16 de Dezembro (RJUE)
Logótipo