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Passeios nas Serras do Louro e São Luís

Bem-vindo às Serras do Louro e de S. Luís, duas importantes áreas integradas na Reserva do Parque Natural da Arrábida. Neste percurso poderá recuar na história e testemunhar o modo de vida das populações anteriores, através de um importante conjunto de achados arqueológicos.

Povoado em exploração arqueológica, com ocupação plena no Período Romano, mas com vestígios de ocupações anteriores e posteriores, podendo-se constatar diferentes alinhamentos de construções sobrepostas. É de notar que, ao contrário dos nossos dias, as populações escolhiam os locais de altitude para implantarem os seus povoados, tanto pelas melhores capacidades de defesa como pela mais elevada salubridade.

Queimada

É o ponto mais alto da Serra do Louro com uma altitude de 224 metros, assinalado com um marco geodésico. Esta sinalização tem diversas aplicações práticas, sendo a mais comum os trabalhos de geodesia e de topografia. Trabalhos arqueológicos mostram que este local teve ocupação, pelo menos, do período romano até ao século XI da nossa era. A rocha a nascente do marco apresenta vários sulcos, onde provavelmente estaria instalada uma zona de vigia. Na vertente subjacente a este local, de fácil acesso, encontra-se um espetacular banco de ostras fossilizadas de génese idêntica à dos corais já referidos.

Bancos de corais

Os corais são criaturas marinhas, de águas pouco profundas e quentes, que se desenvolvem em grandes comunidades. Aqui aparecem completamente fossilizados (transformados em pedra), partidos, amontoados e misturados com os solos de cobertura. Isto mostra que, estes terrenos, tiveram uma formação subaquática com deposição de diversas camadas de estratos calcários e que, posteriormente, sofreram poderosos movimentos tetónicos (movimentação da crosta terrestre), vindo a formar as elevações. Tudo isto terá acontecido há cerca de 23 a 20 milhões de anos.

Serra do Louro

Extensa elevação de orientação SW-NE, com cerca de 6 quilómetros e uma altitude mais ou menos regular entre os 200 e 230 metros, constituída por enrugamento do maciço da Arrábida ocorrido na orogenia alpina tardia (movimentos da crusta terrestre) há cerca de 12 a 10 milhões de anos. Composta por calcários margosos, grés e arenitos do período Miocénico (22 a 18 milhões de anos), onde abundam fósseis de animais marinhos.
Daqui é possível avistar quase toda a região da Arrábida e o Rio Sado bem como, para Norte, a extensa Península de Setúbal, o Rio Tejo e a Costa de Lisboa.

Portela

A designação "Portela" está associada à ideia de "passagem" ou "pórtico". Realmente estes são locais onde o relevo torna a passagem mais simples, pelo que são escolhidos por pessoas e animais para efetuar os cruzamentos de serras e montes. Do ponto de vista geográfico, uma portela é um ponto mínimo entre dois cumes, na direção do seu alinhamento, e simultaneamente o ponto máximo na direção que lhe é perpendicular. Trata-se, assim, do que matematicamente se denomina de "ponto de sela".

Ribeira de Alcube

Neste vale inicia o seu curso a Ribeira de Alcube, que circunda a Serra de S. Luís pela vertente Oeste, segue pela Vale da Comenda e desagua na Praia com o mesmo nome. No seu leito de cheia desenvolveram-se várias zonas de cultivo de pequena dimensão, mas com solos extremamente enriquecidos pela intensa mineralização das suas águas. O topónimo "Alcube" poderá derivar da designação árabe Al Kuba, que significa mausoléu ou sepulcro de pessoa importante.

Capela de S. Luís da Serra

Esta ermida tornou-se num local de culto de pastores da região da Arrábida, quando se deslocavam de Azeitão a Setúbal para vender o seu gado. As preces eram feitas no sentido de manter pastos suficientes para a alimentação do gado, principalmente nos quentes Verões, pelo que se instituiu uma romaria no início da Primavera, em finais de Abril, ao protector dos animais. As oferendas, que em tempos foram de animais vivos, são agora simbolizadas em figuras de cera, normalmente representando curas em animais ou mesmo em pessoas.

Povoado pré-histórico do Pedrão

O Pedrão é um promontório natural de rocha calcária que aflora na vertente este da Serra de S. Luís, a cerca de 150 metros de altitude e sensivelmente a meio da altitude desta. Este local serviu de refúgio a populações residentes, dando origem a diversas ocupações. Verificou-se um primeiro nível de ocupação referente ao Calcolítico Antigo (idade do cobre), há cerca de 4500 anos. Depois, no século II a.C. os povos da região viram-se obrigados a ocupar de novo este local. O expoente da ocupação terá ocorrido em meados do século I a.C. Neste período viveu aqui uma comunidade interessante, da qual poderemos definir um retrato pois, numa das habitações, foi descoberto um "esconderijo" onde se encontrou: duas ferramentas agrícolas de ferro (podão e roçadoira); uma moeda do século anterior; um machado polido pré-histórico.

O que significa então este "tesouro"? As ferramentas são a subsistência, o trabalho, a sobrevivência; a moeda mostra que já então se sabia a necessidade da segurança nos valores materiais, mostrava o poder e a riqueza acumulada para um futuro que poderia ser incerto; o machado pré-histórico é uma veneração mística aos antepassados, numa perfeita ligação ao passado.




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