O vasto espólio proveniente dos espaços escavados tem sido tratado, estudado e divulgado em seminários e congressos nacionais e internacionais, constituindo uma significativa coleção museológica.
Área Urbana de Palmela
Nas intervenções arqueológicas realizadas em vários pontos da vila – Rua de Nenhures, casa nº4 da Rua do Castelo, Paços do Concelho (Poente) e Castelo de Palmela – obteve-se espólio cerâmico datável dos sécs. XIII a XV.
As escavações revelaram ainda algumas estruturas, com destaque para as da casa n.º 4 da Rua do Castelo. Materiais de finais do século XV, séc. XVI e séc. XVII foram recolhidos no acompanhamento de obras efectuadas em diversas ruas da vila. Salientam-se as cerâmicas esmaltadas e vidradas da Rua Augusto Cardoso, algumas das quais importadas de Valência e vários elementos de adorno pessoal.
O Castelo Islâmico
A ocupação do castelo pelos muçulmanos está hoje atestada arqueologicamente no período entre os séculos VIII-IX/XII. Apesar de mais escassos, subsistem ainda alguns traços da presença Almoada.
Pelos dados documentais cristãos do séc. XII e XIII sabemos da existência de uma casta nobre muçulmana em Palmela (Balmâla), por alturas da conquista de Lisboa (1147) e, logo após, aquando da rendição incondicional do castelo. Em finais do séc. XII, inícios do XIII, sucedem-se as incursões almoadas e as contra-investidas cristãs, sob a lança dos freires de Santiago que, entretanto,estabeleceram neste castelo um núcleo militar.
As investigações arqueológicas efetuadas nesse local da alcáçova conduziram à descoberta de estruturas sobrepostas que abrangem todas as fases atrás citadas. Além de fossas e silos, encontram-se restos de casas de habitação, algumas adossadas à muralha com a respetiva distribuição funcional: lixeiras, canais de escoamento de águas. Derrubes e níveis de incêndio ilustram momentos de destruição violenta no castelo.