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Busto de José Maria dos Santos

José Maria dos Santos (1832-1913)

EN | Monument to José Maria dos Santos

 Filho de um ferreiro (ou ferrador) de Lisboa, José Maria dos Santos nasceu na capital. Com formação em medicina veterinária, foi membro do Exército durante alguns anos. Após casamento, em 1857, com Maria Cândida Ferreira Braga S. Romão – viúva do capitalista lisboeta Manuel Gomes da Costa S. Romão -, passou a gerir as propriedades herdadas pela esposa, às quais veio a acrescentar muitas outras, fruto do seu investimento na gestão eficiente e produção agrícolas. Transformou-se no maior viticultor português fruto de uma capacidade de gestão empresarial única na época. Quando faleceu, aos 81 anos, chegou a ser considerado o homem mais rico de Portugal.

Exerceu diversas funções na vida empresarial e política, de entre as quais destacamos: fundador e membro da direção da Real Associação Central da Agricultura Portuguesa (RACAP), diretor do Banco de Portugal e da Sociedade Geral Agrícola e Financeira de Portugal, membro da Comissão Promotora do Comércio de Vinhos e Azeites; desenvolveu uma carreira política, destacando-se como deputado - de 1869 a 1892 pelo Partido Regenerador e pela Esquerda Dinástica - e Par do Reino a partir de 1893.

Teve uma ação fulcral para o desenvolvimento agrícola e a colonização da área de Rio Frio-Poceirão. Recorreu a incentivos para fixação de trabalhadores, ao uso de adubos químicos, à aplicação de novos métodos de cultivo – como a seleção de sementes e o recurso a maquinaria agrícola inovadora (em 1878, tinha 2 máquinas a vapor na herdade da Palma e 10 em Rio Frio), – e à criação de canais de escoamento de produção; aplicou estes métodos nas suas herdades de Rio Frio, Palma e Machados. Nalguns períodos, chegou a ter 5 mil trabalhadores nas suas propriedades, nas quais se produzia sobretudo arroz, sal, vinho, cortiça, gado, legumes e azeite. Foi pioneiro na instalação de telefone nas herdades.

Em Rio Frio, plantou 6 milhões de cepas nos finais da década de 1890: a maior vinha do mundo em extensão. Num período em que a filoxera dizimara a produção vinícola, esta opção foi arriscada. Associou-se a Abel Pereira da Fonseca para financiamento da abertura da venda de vinho «a bocheco», em Lisboa. Terá tido influência quer no traçado da linha férrea Sul e Sueste, quer na criação do ramal do Montijo, uma vez que o transporte ferroviário constituía um meio privilegiado de escoamento das produções das suas propriedades.

O monumento - homenagem dos seus antigos rendeiros, prestada em 1916, conforme se lê na lápide, na praça homónima de Pinhal Novo - é formado por uma alta estrutura de pedra e pelo busto de bronze do benemérito, assinado pelo escultor Costa Motta Sobrinho.
A estrutura é amparada dos lados por duas volutas, cujos perfis apresentam uma decoração de parras e cachos de uvas, em baixo relevo. Na parte inferior da estrutura, foi aplicada uma placa em bronze, em forma de brasão, que tem ao centro, simbolicamente, uma colmeia com três abelhas; esta placa é rodeada por um baixo-relevo que representa alfaias agrícolas – uma pá, um ancinho, uma foice e uma enxada – entrelaçadas por uma fita. Na parte central da estrutura, implanta-se uma imitação de tabuleta de madeira, centrada pela seguinte inscrição:

AO BENEMERITO
E
INSIGNE LAVRADOR
JOSÉ MARIA
DOS
SANTOS
1832-1913

As vides retorcidas sob esta inscrição, tornam a escultura bastante expressiva e acentuam o carácter «Arte Nova».
O busto de bronze é uma escultura de pendor naturalista, sem pormenorização excessiva, que transmite uma imagem de força e de serenidade do homenageado. A assinatura C. Motta e a data de 1916 encontram-se na parte posterior, nas costas do ombro esquerdo. Esta assinatura pode levantar dúvidas entre o escultor Costa Motta, Tio (1862-1930) e o escultor e ceramista Costa Motta, Sobrinho (1877-1956), mas pela grafia da assinatura e o carácter da obra, é com toda a probabilidade um trabalho do segundo.

Costa Motta Sobrinho, natural de Coimbra, aprendeu a arte com o seu tio homónimo, estagiou em Paris entre 1904-1905, no atelier do escultor Jean-Antoine Injalbert e, após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, foi director artístico da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, em 1908. A partir de 1914, e em especial após o encerramento definitivo da Fábrica das Caldas, em 1916, até iniciar o projeto da Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves (mais tarde Escola António Arroio, inaugurada em 1928), dedicou-se essencialmente à escultura, no seu atelier de Lisboa.

Executou ainda a encomenda do Conselho Nacional de Turismo para a realização dos 13 grupos escultóricos, dos Passos da Via Sacra para as Capelas da Mata do Buçaco. Fez diversos bustos de mármore e de bronze, de várias figuras públicas – como o de Fialho de Almeida para a Biblioteca Nacional, o de Júlio de Castilho, ou o de Actor Taborda no Jardim da Estrela -, quase sempre por encomenda, como o busto de José Maria dos Santos.

Bibliografia
CABRITA, José António (1999). José Maria dos Santos. E antes de “grande agricultor”? “Coleção Origens e Destinos, n.º 3”, Pinhal Novo: Junta de Freguesia

LEITE, Pedro Pereira. (2009). Memórias da Herdade de Rio Frio.

MARTINS, Conceição Andrade (1992). «Opções económicas e influência política de uma família burguesa oitocentista: o caso de São Romão e José Maria dos Santos», in Análise Social, vol. xxvii (116-117), 1992 (2.°-3.°), 367-404

RIBEIRO, Orlando, LISBOA, J. Ribeiro (1998). As transformações do povoamento e das culturas na área de Pinhal Novo, “Coleção Origens e Destinos, n.º 1”, Pinhal Novo: Junta de Freguesia

SERRÃO, Vítor e MECO, José (2007). Palmela Histórico-Artística. Um inventário do Património concelhio, Palmela/Lisboa: C.M.Palmela/Ed. Colibri

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