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Qualidade do Ar

Poluentes atmosféricos: fontes emissoras, efeitos na saúde humana, sazonalidade

As concentrações dos poluentes no ar ambiente dependem essencialmente de dois factores: quantidades emitidas e condições meteorológicas que condicionam a sua dispersão e as suas reacções.

No que diz respeito às fontes poluidoras destacam-se duas: o tráfego automóvel, especialmente em áreas urbanas, como fonte do dióxido de azoto, monóxido de carbono, partículas em suspensão e benzeno e outros compostos orgânicos voláteis; e as fontes industriais, no que diz respeito ao dióxido de enxofre, óxidos de azoto e partículas em suspensão.

As diferentes características dos poluentes atmosféricos começam logo pelos diferentes modos de como estes são gerados sendo assim possível distinguir dois tipos: os poluentes primários e os secundários. Os primeiros são emitidos diretamente para a atmosfera, os segundos resultam da transformação dos poluentes primários por diferentes reacções químicas.

A maioria dos poluentes evolui segundo um ciclo sazonal bem marcado:

  • Os poluentes primários (óxidos de azoto, dióxido de enxofre, partículas finas em suspensão) apresentam geralmente concentrações mais elevadas durante os períodos de Inverno do que durante os de Verão, devido a condições de maior estabilidade atmosférica. Durante o Inverno as frequentes condições atmosféricas de anticiclone favorecem o fenómeno de inversão térmica que, por sua vez, acentua o efeito de acumulação dos poluentes ao nível do solo, sendo a sua dispersão e transporte vertical desfavorecidos;
  • Já as concentrações de ozono são mais elevadas durante a Primavera e Verão em comparação com as de Outono e Inverno. Trata-se de um poluente secundário cuja produção está essencialmente relacionada com a intensidade da radiação solar.

Saiba mais: Rede de estações de qualidade do ar
 

Principais fontes e efeitos na saúde humana dos principais poluentes atmosféricos
PoluenteFontes emissorasEfeitos na saúde humana
NO2 O dióxido de azoto resulta da queima de combustíveis nas unidades industriais e da combustão, a altas temperaturas, nos motores dos veículos automóveis.
Na combustão a elevadas temperaturas o azoto e o oxigénio moleculares do ar formam os óxidos de azoto, sobretudo monóxido de azoto que se oxida em grande parte a dióxido de azoto.
O NO2, ao ter pouca afinidade pela água das mucosas, alcança as regiões profundas do tracto respiratório e inibe algumas funções dos pulmões, tais como a resposta imunológica, diminuindo a resistência às infecções.
Assim, os seus efeitos traduzem-se no aumento da susceptibilidade a doenças respiratórias, principalmente em crianças, e também no aumento da possibilidade de ataques de asma.
SO2 O dióxido de enxofre provém fundamentalmente da combustão dos combustíveis fósseis que contêm enxofre. É um gás que é emitido principalmente por fontes industriais (tais como: refinarias petrolíferas, indústria do papel e indústria química, centrais térmicas) e também pelo tráfego rodoviário (embora cada vez menos devido à redução da percentagem de enxofre nos combustíveis). Os seus efeitos encontram-se associados a doenças respiratórias (como a bronquite crónica e asma) e cardiovasculares.
É um dos gases que mais contribui para a acidificação das águas e vegetação, para a formação de smog, e também pode provocar más condições de visibilidade.
Uma parte do SO2 transforma-se em pequenas partículas de sulfatos que chegam às vias respiratórias.
PM10 As partículas em suspensão (mistura de partículas no estado sólido ou líquido) provêm das cinzas, da fuligem e de outras partículas produzidas principalmente pela combustão de carvão e fuel-óleo na indústria e nos automóveis.
São geradas em processos industriais, resultam também do tráfego rodoviário (sendo emitidas nos gases de escape dos veículos a gasóleo), de processos de queima, de movimentações de terras, da ressuspensão provocada pela passagem de veículos nas estradas.
Também podem ocorrer fenómenos naturais de transporte de partículas a longa distância – eventos naturais. São exemplo disso as elevadas concentrações de partículas finas registadas em Portugal e que têm origem nos desertos do Norte de África.
As vilosidades e mucosas nasais capturam as partículas de maior diâmetro impedindo que cheguem aos pulmões.
Porém as mais finas (produzidas pelo tráfego), por serem de menor dimensão, como é o caso das PM2,5 (partículas em suspensão de diâmetro aerodinâmico inferior a 2,5 µm), conseguem penetrar no sistema respiratório, com consequências mais gravosas em termos de saúde.
As partículas microscópicas podem afectar a actividade respiratória, com especial incidência em população de risco como as crianças e idosos, e agravar o estado de saúde em pessoas que sofram de doenças cardiovasculares e pulmonares.
O seu risco não depende tanto da sua concentração mas sim de outros parâmetros como o seu tamanho e a sua toxicidade. As partículas em suspensão também afectam o coberto vegetal e reduzem a visibilidade.
Pb Antes da utilização da gasolina sem chumbo, esta era a fonte responsável por 80% deste poluente na atmosfera. Quando inalado distribui-se por todo o organismo e é dificilmente eliminado, acumulando-se principalmente no tecido ósseo, chegando a suplantar o cálcio.
É um metal pesado que produz envenenamento enzimático. Altera o funcionamento de vários órgãos, afecta o sistema nervoso central, prejudica o funcionamento do tecido cerebral, a audição e provoca anemia. Nas crianças interfere no metabolismo da vitamina D, o que limita a capacidade de aprendizagem e o coeficiente intelectual.
CO O monóxido de carbono provém essencialmente das emissões geradas pelos veículos a gasolina, principalmente dos mais antigos, e por alguns processos industriais. Por vezes ocorrem elevadas concentrações de CO em espaços confinados, ou ao longo das vias de circulação em situações de longas filas de trânsito. Este poluente reduz a capacidade de transporte de oxigénio até aos tecidos vitais pelo sangue, afectando os sistemas cardiovascular e nervoso.
Em concentrações mais reduzidas pode ser gravoso para indivíduos com doenças cardiovasculares e reduz o desempenho desportivo. As elevadas concentrações podem causar sintomas como dores de cabeça e fadiga.
C6H6 O benzeno é utilizado como matéria-prima para síntese de compostos orgânicos e como aditivo nos combustíveis para veículos, substituindo, em parte, o chumbo.
Trata-se de um composto orgânico resultante da volatilização dos combustíveis.
Assim, nas zonas urbanas o tráfego rodoviário é uma fonte que assume um papel substancial.
No interior das habitações muitas vezes as concentrações de benzeno são superiores às concentrações ao ar livre devido ao fumo do tabaco, que constitui uma fonte de exposição importante.
O benzeno, quando inalado, afecta principalmente o fígado, a placenta e a medula óssea, onde causa efeitos nocivos.
Causa também leucemia, cancro da pele e do pulmão.
O3 O ozono trata-se de um poluente secundário, resultando geralmente da transformação fotoquímica de certos poluentes primários na atmosfera, em particular dos óxidos de azoto (NOx) e dos compostos orgânicos voláteis (COV), sob o efeito da radiação ultravioleta. O ozono é um poderoso oxidante, uma exposição crónica pode agravar os sintomas de irritação do tracto respiratório, já que o oxida, podendo provocar dificuldades respiratórias (p. ex. impossibilidade de respirar fundo, inflamações brônquicas ou tosse).
Uma intoxicação aguda provoca uma reacção inflamatória ao nível das mucosas respiratórias e agrava os sintomas de problemas respiratórios preexistentes.

 

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