Conferência destacou conquistas de Abril e importância de continuar a defender a democracia
A Conferência Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril “Portas que Abril Abriu”, que o Município de Palmela promoveu a 23 e 24 de outubro, no Cine-Teatro S. João e Escola Secundária de Palmela, proporcionou dois dias de reflexão sobre as conquistas da Revolução e alertou para a importância de continuar a intervir para consolidar a democracia e a liberdade.
«Abril ainda é um sonho por cumprir e está nas vossas mãos», destacou o Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Balseiro Amaro, no encerramento da Conferência, perante uma plateia repleta de jovens. O Presidente apelou a que «não tenhamos medo de aproveitar a liberdade, de fazer, empreender e de intervir», pois «precisamos de jovens interventivos, esclarecidos, atentos, ativos, exigentes e inconformados».
Álvaro Balseiro Amaro explicou que esta Conferência foi promovida «para tentar estabelecer a ponte entre quem viveu no tempo da ditadura, resistiu ao fascismo, foi protagonista no avanço social, na conquista e consolidação de direitos fundamentais e quem representa as novas gerações, que têm nas mãos a defesa desta liberdade».
O Painel 1 “Resistir - Como se vivia e resistia antes do 25 de Abril?” foi moderado por Adilo Costa (Advogado, Autarca e Preso Político) e Diogo Ferreira (Investigador em História Local) e contou com a participação de Adília Candeias (Operária, Autarca e Dirigente Sindical), António Correia (Professor e Ex-Padre), Francisco Fanhais (Cantor), José António Cabrita (Sociólogo e Professor) e José Modesto (Ferroviário e Sindicalista).
Todas/os partilharam de viva voz como se vivia antes do 25 de Abril, testemunhando o medo, censura, guerra, pobreza, uma realidade em que as mulheres não podiam sair do país sem autorização, nem votar e não existia liberdade de manifestação, mas também a capacidade de resistência, nas escolas, locais de trabalho e nas poucas associações que existiam.
“Portas que Abril Abriu - Como se construiu a democracia?” foi o tema do Painel 2, moderado por Antonieta Saragoça Santos (Ex-autarca e Professora) e Duran Clemente (Militar de Abril), em que participaram João Brites (Diretor Artístico do Teatro O Bando e Exilado Político), João Leal (Fundador da Coopinhal), Joaquim Osório (Dirigente Associativo e Dinamizador da Alfabetização de Adultos), Joaquim Ricardo (Ex-autarca e Dirigente Associativo), Natividade Coelho (Ex-autarca e membro da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género) e Virgílio Silva (Dirigente Associativo e de Comissão de Moradores).
Este painel focou a grande explosão da liberdade no pós-25 de Abril, com a criação de programas de alfabetização de adultos e companhias de ação cultural, a promoção da igualdade de género, a constituição das comissões de moradores, sindicatos, clubes e associações e a implementação do Poder Local Democrático. Foi também o tempo em que as pessoas deitaram mãos à obra e ergueram parques infantis, creches, bibliotecas, escolas, campos desportivos, centros de saúde e outras infraestruturas.
A fechar o programa do primeiro dia, a Mesa Redonda “A Comunicação Social na Defesa da Democracia e da Liberdade” contou com moderação de Mário Galego (Jornalista e Diretor de Informação Rádio do grupo RTP) e participação de Adelino Gomes (Jornalista e Investigador), Fátima Brinca (Jornalista), Filipa Pereira (Jornalista da New In Setúbal /New In Town) e Francisco Alves Rito (Jornalista e Diretor do jornal O Setubalense, da Popular FM e da Associação Portuguesa da Imprensa).
Foram debatidos os desafios e perigos que a comunicação social hoje atravessa, como a sustentabilidade dos jornais e a dependência de grandes grupos económicos, que condicionam o pluralismo e a liberdade, ou o crescimento do digital e das redes sociais, que exige uma atenção acrescida para distinguir entre comunicação e jornalismo.
25 de Abril não é um fim em si mesmo, mas antes um início
No segundo dia realizou-se o 3º Painel, “Valeu a Pena? Valeu a Pena!”, que contou com os contributos de Ana Teresa Vicente (Autarca e Socióloga) e Sofia Martins (Ex-autarca e Secretária Geral da Associação de Municípios da Região de Setúbal), na moderação, e de Jorge Gonçalves (Vice-Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa) e Pedro Tadeu (Jornalista) como oradores.
As/os participantes foram unânimes em considerar que o 25 de Abril não é um fim em si mesmo, mas antes um início de uma nova “história”. É através da participação de todas/os, sobretudo das/os jovens, que vamos ter que prosseguir na consolidação da democracia e na construção de um futuro ainda melhor.
O Painel 4 “Utopia - Que Utopia?” decorreu na Escola Secundária de Palmela e pretendeu dar voz às/aos jovens do concelho. Teve moderação e participação de Filipa Bento (Associação All Aboard), Iza da Costa (Associação Inspira Atitude), Miguel Azenha (Ex-Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Pinhal Novo) e de estudantes das Escolas Secundárias de Palmela e Pinhal Novo e Escola Básica José Saramago (Poceirão).
As/os jovens partilharam as suas preocupações sobre os desafios das novas gerações, as alterações climáticas, a importância da interculturalidade e da inclusão, a dificuldade em colocar a funcionar as associações de estudantes, a relação das/os mais novas/os com a política, entre outros temas.
A Conferência encerrou com o espetáculo musical “Anónimos de Abril”, com Rogério Charraz, Joana Alegre, José Fialho Gouveia e João Afonso, no Cine-Teatro S. João.
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