Paços do Concelho
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O edifício dos Paços do Concelho, outrora conhecido como Casa da Câmara de Palmela, é um dos mais emblemáticos da Vila, quer pela sua localização, quer pela sua tipologia e pela sua morfologia arquitetónica, quer pelas suas funções multisseculares que, ainda hoje, aí são desempenhadas.
Trata-se de um edifício imponente de origem muito antiga, implantado no topo do Largo do Município, de planta retangular. A construção do piso térreo e do pórtico do edifício que chegou até nós recua ao século XVI. Muito arruinado com o terramoto de 1755, o piso nobre foi todo reconstruído algures na segunda metade do século XVIII.
O edifício, de uma monumentalidade rara, insere-se na categoria de imóveis de Arquitetura Concelhia. Como Casa da Câmara era, e felizmente continua a ser, a sede do poder concelhio. No passado abrigava algumas das funções próprias dos concelhos do Antigo Regime: judicial, carcerária, administrativa e comercial. Com efeito, como casa nobre que era, no piso nobre a sala servia de sala de audiências; ao lado, a “câmara” servia de câmara das vereações. No piso térreo, sob a sala de audiências, estava instalada a cadeia do concelho e, ao lado, os açougues e um local de “[…] venda dos géneros comestíveis e outras oficinas […]”, bem como a Roda dos Expostos, tutelada pelo Concelho, aí instalada em 1837.
A fachada desenvolve-se em dois níveis, o térreo e o nobre. O elemento mais vistoso é a imponente varanda lançada à largura de toda a fachada, ladeada por dois jogos de escadarias, com dois lances perpendiculares entre si organizados e dispostos simetricamente. O meio do pano central da fachada principal é alteado de modo a formar uma pequena empena semicircular onde se implantou o brasão real, com as armas da Rainha D. Maria I (n. 1734; reinado: 1777-1816), o que permite atribuir o piso nobre da fachada ao seu reinado.
A fachada principal da casa da câmara incorpora o campanário onde se localiza o sino da câmara, um equipamento essencial dos velhos concelhos portugueses, pois todos os atos camarários eram anunciados “a som de campa tangida”, isto é, convocados com um toque do sino da câmara.
O Salão Nobre constituí a sala mais imponente do edifício, pelas suas dimensões, pela morfologia pela decoração das paredes, pelo que é uma das mais belas e impressivas do país. Era a antiga sala de audiências e como tal, era o único espaço do edifício em que todos podiam entrar, para assistirem aos julgamentos. Suplementarmente era o autêntico salão de festas do concelho e como tal o grande espaço de representação do poder local.
A sala de audiências está decorada com uma galeria de retratos dos reis das 1ª e 2ª dinastias, desde o conde D. Henrique a D. Manuel (dos séculos XII a XVI). A cobertura da sala também merece o maior destaque. O plano cimeiro é dividido em três campos, ostentando o central um magnífico brasão do concelho, enquadrado por uma moldura muito vistosa. Nos panos dos extremos surgem, também pintados, uma balança e um espelho, símbolos da Justiça e da Verdade, o que atesta a sua antiga função de sala de audiências.
A partir de 2024, após uma campanha de requalificação e restauro do Salão Nobre, realizam-se visitas guiadas dirigidas à comunidade escolar e ao público em geral, estas últimas no primeiro sábado de cada mês. As inscrições são obrigatórias e gratuitas, através do mail património.cultural@cm-palmela.pt.