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Guerras do Alecrim e Mangerona

2018/10/20
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Guerras do Alecrim e Mangerona, de António José da Silva, foi representada pela primeira vez no Teatro do Bairro Alto, no carnaval de 1737, com música de António Teixeira e com recurso a marionetas. Obra central deste dramaturgo português, as Guerras do Alecrim e Mangerona são herdeiras de uma tradição do teatro Ibérico, que tinha nesta época muita presença nos pátios de comédia da cidade de Lisboa. É deste mundo que emana a sátira social recorrendo a arquétipos de personagens como criados, baixa nobreza com suas aspirações a riqueza e estatuto, médicos e juízes. No entanto, a indicação de que esta se trata de uma “Ópera Joco-Séria” por parte do seu autor, põe-na já em relação com a nova corrente da Ópera Italiana que se ia introduzindo nos teatros da Corte. É, assim, não apenas uma comédia de crítica social, mas também uma crítica aos novos padrões de teatro.

O enredo está cheio de enganos e confusões que, em conjunto com os diferentes caracteres das personagens, gera a comicidade. Assim, temos dois caça-dotes, D. Gilvaz e D. Fuas, que se cruzam na rua com duas irmãs, D. Cloris e D. Nize, e logo se declaram interessados em conquistá-las. Ambas se declaram pertencentes a dois ranchos rivais, o do Alecrim e o da Mangerona, estabelecendo-se assim a rivalidade entre os dois rapazes pela conquista das suas amadas. Eles fazem-se acompanhar por Semicúpio, ardiloso criado de D. Gilvaz, que se enamora logo por Sevadilha, criada das duas irmãs.

Logo descobrem que D. Cloris e D. Nize são sobrinhas de D. Lancerote, velho rico, que pretende casar uma delas com seu sobrinho D. Tibúrcio, constituindo assim o principal entrave aos seus planos. Semicúpio, com seu engenho e tramoias vai ajudar D. Gilvaz na sua conquista, criando maneiras de o introduzir em casa de D. Cloris. Por seu lado, D. Fuas será ajudado por Fagundes, velha criada de D. Lancerote.

Várias vão sendo as tentativas por parte de Semicúpio e Fagundes (com a conivência de Sevadilha) de juntar os dois casais e de promover o encontro em casa delas sem que o velho tio saiba. Há entradas dentro de caixas que parecem assombradas, vestem-se os rapazes de mulheres, de médicos e até de juiz, para tudo terminar em vitória final, ordenando o “juiz” Semicúpio que se casem D. Gilvaz com D. Cloris, D. Fuas com D.Nize e ele próprio, Semicúpio, com Sevadilha, pondo assim fim às guerras entre o rancho do Alecrim e o da Mangerona.

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Duração do espetáculo: 180 minutos (com intervalo)
Classificação etária: M/6
Género artístico: Ópera barroca de marionetas
Entrada: 4 euros
Org.: Câmara Municipal de Palmela e Artemrede

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