Voto de pesar – Rafael Augusto Rodrigues
A Câmara Municipal de Palmela aprovou, por unanimidade, na reunião pública de 17 de junho, um voto de pesar pelo falecimento de Rafael Augusto Rodrigues, um cidadão interventivo, figura emblemática e muito acarinhada em Pinhal Novo, a quem já havia sido atribuída a medalha Municipal de Mérito.
Com raízes alentejanas, Rafael Augusto Rodrigues chegou ao Pinhal Novo com 6 anos de idade, onde teve uma vida plena, dedicada à comunidade e ao associativismo local.
Filho de um ferroviário, desde cedo ingressou numa vida profissional dedicada à CP – Comboios de Portugal, mas o seu entusiasmo e vontade em colaborar na comunidade levou-o, também, ao mundo do movimento associativo. Foi um dos sócios fundadores do Clube Desportivo Pinhalnovense e da Comissão de Reformados da Freguesia de Pinhal Novo.
Em 2012, o Município honrou o seu percurso ímpar e dedicação em prol do desenvolvimento local com a atribuição da Medalha Municipal de Mérito (grau Ouro) na área do Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações.
Com um percurso de vida repleto de histórias e memórias, Rafael Augusto Rodrigues faleceu, a 8 de junho, aos 97 anos de idade.
Transcreve-se, abaixo, o texto integral do voto de pesar:
“Pinhal Novo perdeu, no dia 8 de junho, uma das suas figuras mais emblemáticas e acarinhadas. Rafael Augusto Rodrigues faleceu aos 97 anos, após uma vida plena, vivida com um profundo amor e entusiasmo pela terra, pela comunidade e pela palavra. Natural de Moura, no distrito de Beja, chegou ao Pinhal Novo com 6 anos e aqui lançou raízes, que continuarão a dar fruto muito depois da sua partida.
Era filho de um ferroviário e seguiu as pisadas do pai, começando, logo depois do exame da 4.ª classe, a trabalhar como empregado da cantina da estação da CP de Pinhal Novo e a vender bilhas de barro com água. Na adolescência, ainda passou pelo mundo do vinho, como empregado em duas adegas em Vendas Novas, mas o apelo da vida ferroviária foi mais forte e, aos 15 anos, ingressou na CP, primeiro na linha do Sul, entre a Moita e o Pinhal Novo, depois no Montijo e, mais tarde, entre Águas de Moura e Pinheiro.
Dinâmico e bem-disposto, não perdia uma oportunidade de convívio e de colaborar com a comunidade em ações de cariz social, cultural e desportivo. Foi um dos sócios fundadores do Clube Desportivo Pinhalnovense (sócio n.º 3) e da Comissão de Reformados da Freguesia de Pinhal Novo (sócio n.º1), que deu origem à Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Pinhal Novo.
Apesar de sempre ter apreciado poesia popular, a paixão pela escrita e a poesia desabrocharam depois da aposentação e tornaram-no presença incontornável nos encontros de poesia organizados pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo e pela Biblioteca Municipal. Participou, igualmente, em encontros e concursos de poetas populares e jogos florais em todo o país e animou, com a sua poesia, muitas excursões na Península Ibérica e em França, através do programa Turismo Sénior.
Muitos dos seus trabalhos foram publicados em jornais e revistas da região, bem como nos livros da coleção “Origens e Destinos” e nas revistas “Palavra Dita”, editadas pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo, na sequência dos encontros de poesia com o mesmo nome. No entanto, sonhava com a edição de um livro e esse sonho motivou-o a, aos 80 anos, ingressar na oficina de introdução à informática promovida pelo Município, a fim de aprender a utilizar um computador. A possibilidade de transformar os seus manuscritos em ficheiros para partilhar e perpetuar trouxe-lhe renovada autonomia e entusiasmo. Este trabalho foi encadernado e deu origem a dois volumes, com os títulos “A minha modesta poesia” e “Recordações de alguns episódios vividos na minha vida de ferroviário”.
No seu “museu” caseiro, com quatro décadas, colecionou artefactos e compilou memórias da sua vida, da sua terra e da sua atividade. Um espólio que sempre partilhou com a comunidade, com as escolas e com a comunicação social.
O Município honrou o seu percurso ímpar, a sua personalidade contagiante e o seu contributo para o desenvolvimento local com a atribuição, em 2012, da Medalha Municipal de Mérito (grau Ouro), na área do Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações.
Reunida a 17 de junho de 2020, a Câmara Municipal de Palmela lamenta o falecimento de Rafael Augusto Rodrigues e endereça sentidas condolências à família e às instituições que integrou.”