25 de Abril: Memorial encerra comemorações do cinquentenário e evoca coragem e resistência à ditadura
O Memorial aos Resistentes Antifascistas, foi inaugurado em Palmela, no dia 24 de abril. A cerimónia reuniu população, autarcas, alunas/os, professoras/es, resistentes antifascistas e seus familiares, entre outra individualidades convidadas para a homenagem do Município, União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) e Escola Secundária de Palmela aos presos políticos do concelho que resistiram e lutaram durante a ditadura, para que as/os portuguesas/es alcançassem a liberdade e democracia.
Instalado na Estrada dos Restauradores do Concelho de Palmela, junto à Fonte do Carvacho, local onde eram realizadas pinturas contra a guerra colonial, o Memorial, da autoria do escultor Pedro Botelho, evoca 85 pessoas presas pela PIDE e contém uma cápsula do tempo elaborada pelas/os alunas/os da Escola Secundária de Palmela - cujo conteúdo integra testemunhos, um texto da Escola, a declaração da URAP e uma mensagem do Município - que será aberta daqui a 50 anos.
O Presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Balseiro Amaro, abriu a sua intervenção deixando «uma saudação emotiva aos presentes e a todos os que lutaram pela liberdade e que continuam a fazer da liberdade o seu caminho cívico para a melhoria do planeta, para termos um mundo melhor e mais fraterno».
Recordou o processo, «riquíssimo», de construção do programa comemorativo do cinquentenário do 25 de Abril, que contou com o envolvimento de uma Comissão de Honra, autarquias locais e movimento associativo, do qual resultou «a preocupação de deixar memória física das comemorações, que inspirasse as gerações futuras» e «a obrigação de prestar esta homenagem, para que a memória não esmoreça».
«A expressão minimalista e crua da escultura, mas igualmente a presença da esperança e o simbolismo dos cravos, procura eternizar a coragem de resistir ao medo, de combater o ódio, de valorizar a memória na defesa do futuro democrático, da tolerância e da aspiração de que outro mundo mais justo para todas e todos é efetivamente possível» sublinhou, crente, também de que «esta nova geração não vai deixar Abril fugir do sonho».
Joaquim Judas, representante da URAP, lembrou os «homens e mulheres que à luta pela liberdade deram o melhor da sua vida, do seu esforço e da sua inteligência. Mulheres e homens que percorrem na dureza das ação clandestina, na violência das prisões e brutalidade das torturas o caminho da conquista da liberdade que agora comemoramos».
A cerimónia contou, ainda, com as intervenções do professor António Correia, resistente antifascista, com a leitura do poema de José Fanha “Eu sou português aqui”, da professora Conceição Catela e da aluna Bruna Samarra (agora já a frequentar o ensino superior), em representação da Escola Secundária de Palmela, que trabalharam no projeto da cápsula do tempo.
A inauguração do Memorial aos Resistentes Antifascistas encerra o cinquentenário do 25 de Abril de 74 no concelho e relança as comemorações dos próximos 50 anos, com a cápsula do tempo criada pela Secundária de Palmela.
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