Arrábida Biosfera: Comissões Consultiva e Científica tomaram posse em Palmela
As Comissões Consultiva e Científica da Arrábida Biosfera tomaram posse no dia 2 de março, no Cine-Teatro S. João, em Palmela. A cerimónia contou com a participação das/o Presidentes das Câmaras Municipais de Palmela, Setúbal e Sesimbra, Ana Teresa Vicente, Maria das Dores Meira e Francisco Jesus – que integraram a Comissão Executiva - do Diretor Regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Carlos Albuquerque, e de Marco Rebelo, do Comité Nacional do programa MaB - Man and the Biosphere.
A Comissão Consultiva da Arrábida Biosfera integra mais de uma centena de agentes do território, particulares, públicos e privados, institucionais e informais. Este órgão assume um papel determinante na gestão da Reserva da Biosfera, assegurando um ambiente propício à participação ampla, ao diálogo qualificado e à reflexão conjunta, elementos essenciais para a implementação do Plano de Ação e para a definição de etapas futuras.
A Comissão Científica é composta por 14 instituições de reconhecido mérito académico e com especial relevo científico no território da Arrábida. Compete-lhe apreciar ativamente o desenvolvimento de parcerias para a promoção de investigação científica em matérias relevantes para a Arrábida Biosfera, apoiar a entidade gestora na criação de um repositório científico e colaborar na elaboração de candidaturas em que a componente científica assume caráter determinante.
Com a tomada de posse destes órgãos, a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) salienta que é, agora, possível dar início a uma nova fase de implementação do Plano de Ação 2025-2035 e de concretização dos objetivos estratégicos definidos para o território.
Integrar uma Reserva: enorme privilégio, responsabilidade acrescida
Durante a cerimónia, a Presidente do Município de Palmela e também da AMRS afirmou, perante uma sala praticamente esgotada, que este ato marca, oficialmente, o ponto de partida para uma nova etapa, «porventura ainda mais trabalhosa, mais desafiante e, seguramente, mais entusiasmante».
Palmela é «um território privilegiado» por fazer parte do espaço da Arrábida Reserva da Biosfera, disse, manifestando satisfação por o Concelho integrar um «grupo de territórios que representam apenas cinco por cento da superfície da terra pelo seu caráter excecional», o que é, «sem dúvida um enorme privilégio, que nos coloca num enorme patamar, também de responsabilidade e de exigência». «Estamos conscientes, igualmente, do enorme desafio que representará gerir esta reserva, num território partilhado por três municípios, com competências próprias, com significativa área humana, em torno de um parque natural e de um parque marítimo», referiu.
Ana Teresa Vicente salientou que, ao «contrário de outras classificações, a Arrábida, como Reserva da Biosfera [constituída em 27 de setembro de 2025], não limita a atividade humana». Pelo contrário, garante, «reconhece a presença de comunidades e de atividades sustentáveis como fator de proteção dos ecossistemas e defesa da biodiversidade».
A Arrábida Biosfera poderá, para a presidente da Câmara Municipal de Palmela, significar «mais emprego qualificado». Com este estatuto, acrescenta, será possível ter mais «infraestruturas de apoio à educação, ao turismo, às visitas» e, por outro lado, com a «afirmação deste selo de qualidade da nossa Arrábida», será possível «valorizar os produtos que todos conhecemos, muito apreciamos, produtos de excelência que aqui são produzidos».
Ana Teresa Vicente destacou, ainda, o papel, neste processo, dos municípios, do ICNF e da AMRS, «que o liderou e promoveu a interação com as entidades externas, desde logo o Comité MaB, e com outras reservas da biosfera», acrescentando que foi um trabalho «muito interessante pela forma como conseguiu articular e envolver os agentes da região em múltiplos fóruns de auscultação, de partilha, de discussão, que tiveram sempre uma fortíssima participação do tecido institucional, do tecido económico, do tecido cultural e social».