«Construção de caminhos de futuro» Palmela celebra Santiago com apresentação do Caminho da Península de Setúbal
Santiago continua a ocupar um lugar de enorme destaque e devoção em Palmela, que foi sede do ramo português da Ordem de Santiago até ao século XIX. Para celebrar o Dia de Santiago, a Câmara Municipal está a promover um programa que teve início no dia 25 de julho, na Igreja com o seu nome, no Castelo de Palmela, e que contou com a apresentação pública do traçado intermunicipal do “Caminho de Santiago - variante da Península de Setúbal”.
O Vice-Presidente do Município de Palmela valorizou a forma apaixonada como este projeto uniu todos os municípios integrantes - Palmela, Montemor-o-Novo, Alcácer do Sal, Vendas Novas, Setúbal e Barreiro - a Via Lusitana e a Federação Portuguesa do Caminho de Santiago «na construção de caminhos de futuro» e sublinhou que o resultado corresponde aos objetivos de «valorização histórica, desenvolvimento económico e turístico e autoestima das populações, cuja identidade está fortemente ligada à Ordem de Santiago», assumidos pela Autarquia palmelense desde o início do processo.
Com o arranque desta «nova etapa, com responsabilidade acrescida», Luís Miguel Calha afirmou que “estamos a fazer história na região e no País“ e acredita na mobilização de vontades e sinergias das populações e parceiros locais, nacionais e internacionais para potenciar, cada vez mais, o Turismo Religioso, num «Caminho que deve ter duplo sentido»: desta região até Compostela, mas, também, trazendo peregrinas/os de Compostela até à nossa região. A classificação dos caminhos portugueses como Património da Humanidade da UNESCO é um objetivo ambicioso e estratégico, já em curso, sendo que o Caminho Francês e os Caminhos do Norte de Espanha já integram a lista há vários anos.
Quatro etapas para desfrutar da região
José Luís Sanches, da Associação de Peregrinos Via Lusitana, foi o responsável pela apresentação técnica deste traçado final, que resulta de um longo trabalho de parceria com os municípios. Dividido em quatro etapas, entre Alcácer do Sal e Barreiro, o traçado tem por base a investigação histórica, que recuperou as principais rotas de peregrinação e culto a Santiago na região, compaginando-as com a ocupação atual deste território densamente urbanizado. A chegada a Palmela dá-se na terceira etapa, com entrada pela Baixa de Palmela e subida pelo morro até ao Centro Histórico e ao Castelo, descendo, depois, em direção à Serra do Louro, atravessando a Arrábida até Vendas de Azeitão. Consensualizado o traçado, segue-se a sua apresentação às Entidades Regionais de Turismo da Região de Lisboa e do Alentejo e Ribatejo e a implementação no terreno.
A sessão, com a presença de vários municípios parceiros, peregrinas/os e do Chefe do Gabinete Episcopal e da Casa Episcopal David Caldas, em representação do Bispo de Setúbal, contou com uma atuação musical da pianista Mafalda Casmarrinha e terminou com a inauguração da Exposição de Fotografia do Caminho Português da Costa “Em cada passo, um sentido”, de António Luís Campos. Cedida pelo Centro Interpretativo do Caminho Português da Costa, sob tutela do Município de Viana do Castelo, esta mostra está, pela primeira vez, em exibição a sul do país e pode ser visitada até 25 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00. O programa continua no dia 27 de julho, com uma Visita Guiada à Pousada de Palmela, antigo Convento da Ordem de Santiago, e, a 10 de agosto, é apresentado o Livro “282 - O último Caminho será sempre o primeiro”, de Luís Ferreira, relato na primeira pessoa das aventuras ao percorrer pela primeira vez um Caminho de Santiago em bicicleta.