Município aprova voto de pesar pelo falecimento de Rui Assis Lobo
O Município de Palmela aprovou, por unanimidade, na reunião pública de 13 de novembro, um voto de pesar pelo falecimento de Rui Assis Lobo, patriarca da Casa Agrícola Assis Lobo, a 22 de outubro, aos 83 anos.
O voto de pesar enaltece uma vida dedicada ao setor dos vinhos, tendo fundado a Casa Agrícola Assis Lobo em 2002 e administrado a empresa até ao último dia, mas também ao associativismo local, em especial na área da Cultura.
Rui Assis Lobo foi ainda vice-presidente da Câmara Municipal de Palmela entre 1971 e 1974.
Transcreve-se, abaixo, o texto integral do voto de pesar:
Voto de pesar - Rui Assis Lobo
«Rui Alberto de Assis Lobo, patriarca da Casa Agrícola Assis Lobo, faleceu a 22 de outubro, aos 83 anos de idade, deixando um enorme legado de trabalho e dedicação ao associativismo local. Nascido a 11 de janeiro de 1941, em pleno arrabalde da vila de Palmela, Rui Assis Lobo começou a colaborar bem cedo na Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros” - amor que o acompanhou toda a vida - como cantor e intérprete nas célebres produções de teatro de revista, que atraíam muita gente de fora.
Mais tarde, revelou-se enquanto jogador de futebol, com uma carreira que teve início no Palmelense Futebol Clube, no final da década de 50, continuou na Académica de Coimbra nas épocas de 1960/61 e 1962/63 e terminou ao serviço da CUF, no Barreiro, em 1963/64 e 1964/65.
Sócio de todas as coletividades de Palmela, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e do Grupo dos Amigos do Concelho de Palmela, Rui Assis Lobo envolveu-se, também, nos órgãos sociais e de gestão de várias entidades, sempre com o objetivo de promover a cultura e os produtos da sua terra.
Foi Presidente dos “Loureiros” (1968/69), da Comissão da Festa das Vindimas (1973/1974) e da Cooperativa Agrícola de Palmela no final da década de 80 e, também, administrador/diretor da Santa Casa da Misericórdia de Palmela na mesma época.
Ressalva-se o exercício da vice-presidência da Câmara Municipal de Palmela entre 1971 e 1974.
Desde sempre ligado ao mundo agrícola e dos vinhos, por tradição familiar, depois de décadas de produção vitivinícola, maioritariamente a partir da casta Castelão, para venda a granel, avançou, com a sua família, para a fundação da Casa Agrícola Assis Lobo em 2002, com o objetivo de promover a sua marca própria e a região que tanto amava. Administrador da empresa até ao último dia, impulsionou, com os seus filhos, um novo ciclo, marcado pela recuperação da adega tradicional, no Centro Histórico de Palmela, a criação de um centro de vinificação em Fernando Pó, a presença da marca nos mercados nacional e internacional, com inovação nos métodos de produção mas, também, da comunicação da marca, e o desenvolvimento de oferta enoturística.
Fortemente envolvido nos objetivos de desenvolvimento e defesa da região vitivinícola, foi um dos fundadores, em 1984, da Associação de Viticultores do Concelho de Palmela, hoje denominada AVIPE, e em 1991, da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. Em maio de 1993, foi entronizado Confrade pela Confraria da Periquita, mas foi a 4 de setembro do mesmo ano que, em conjunto com Álvaro Cardoso, Marcílio dos Santos e António de Matos Fortuna, deu corpo a um sonho antigo: a fundação da Ordem dos Enófilos de Santiago, da qual foi Chanceler Mor.
Reunida a 13 de novembro de 2024, a Câmara Municipal de Palmela lamenta o falecimento de Rui Assis Lobo e endereça sentidas condolências à sua família, à Casa Agrícola Assis Lobo e às muitas instituições que integrou, ao longo da vida».