Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal Presidente da Câmara de Palmela defende visão integrada sobre a região
A Presidente da Câmara Municipal de Palmela afirmou, no Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, (CIMPS) «Península de Setúbal — Uma Visão Estratégica para a Região», que o «crescimento exponencial que se anuncia para a região e para o concelho, com a atração de novos habitantes e novos investimentos, exige um olhar profundo, global, sobre a península, as suas gentes e a sua identidade».
Na sua intervenção na sessão de abertura do encontro, realizado no Cine-Teatro São João, em Palmela, no dia 30 de junho, Ana Teresa Vicente afirmou que «esta é uma região «com alma», que «não quer ser um dormitório de Lisboa» e que conta «com importantíssimos valores naturais e culturais, com uma reserva da biosfera e devemos ser capazes de, coletivamente agir em sua defesa, em prol de um desenvolvimento equilibrado e a bem da sustentabilidade todos defendemos».
Cerca de 200 pessoas, entre autarcas, investigadoras/es, empresárias/os e alguns dos agentes mais dinâmicos da região, juntaram-se no primeiro Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal. Foi, de acordo com a CIMPS, o primeiro grande momento público da nova comunidade intermunicipal e o arranque formal da construção da agenda estratégica da região para o próximo ciclo de fundos europeus.
Um dos dados que marcou o dia foi o crescimento demográfico da região. Segundo os números mais recentes do INE, a Península cresceu cerca de 13 por cento entre 2021 e 2025, aproximando-se de um milhão de habitantes, um sinal de que, como foi sublinhado, «algo estrutural está a mudar» neste território.
O Fórum marcou o início da elaboração do Plano Estratégico 2028-2034, suportado pelo recém-empossado Conselho Estratégico da CIMPS, que reúne 31 entidades públicas e privadas, presidido pela indústria e secundado pelo ensino superior. «No primeiro trimestre de 2027 estaremos todos juntos a apresentar o nosso plano estratégico, participado e que traduz uma visão», anunciou Frederico Rosa, Presidente da CIMPS e da Câmara Municipal do Barreiro, convicto de que «a Península de Setúbal vai ser central no desenvolvimento do país na próxima década».
Reflexão não partiu do zero
A Presidente da Câmara Municipal de Palmela sublinhou que «não se partiu para esta reflexão do zero», recordando que, «desde há muitos anos, os municípios da região têm vindo a trabalhar na construção de uma visão integrada para a região com trabalho sério, assente em estudos, diagnósticos e participação de instituições, participação de cidadãos». O relatório final do PEDEPES 2025-2035, Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Península de Setúbal, promovido pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, foi aprovado há duas semanas pela respetiva Comissão Executiva e atualiza o PEDEPES+, de 2014, «com novos dados que dizem respeito à nossa região (…),numa visão prospetiva para 2035 que pode beneficiar justamente da partilha destes dados e da sua interpretação».
A autarca salientou que, desde que o INE voltou a desagregar os dados estatísticos da Península, em 2023, a «informação disponibilizada confirmou aquilo que muitos municípios e instituições da região vinham afirmando pela sua experiência»: enquanto os municípios da Área Metropolitana do Lisboa a Norte do Tejo apresentavam o maior índice de PIB per capita, a região de Setúbal apresentava o menor. Isto significa que, durante mais de uma década, as dificuldades vividas pelas populações, empresas e agentes estiveram “mascaradas” sob os padrões de vida da AML e agravaram-se com os entraves no acesso a fundos europeus mais robustos, consentâneos com as reais necessidades.
Infraestruturas nacionais criam desafios e oportunidades para a região
Ao longo de um dia inteiro, o debate percorreu, em seis mesas-redondas, o essencial dos desafios e oportunidades do território: os fundos europeus e a governação multinível; a inovação, a competitividade económica, a indústria e a transição energética; os recursos humanos, a qualificação e a atração de talento; o desenvolvimento e os fatores diferenciadores do território; o turismo e a valorização territorial; e as infraestruturas estratégicas, do novo aeroporto e da terceira travessia do Tejo à alta velocidade, aos portos e à mobilidade metropolitana.
À mesma mesa, estiveram o Governo, a administração regional, autarquias, universidades, centros de conhecimento, associações e empresas. De todas as intervenções, sobressaiu uma ideia comum: com a nova configuração estatística, a Península deixa de ser avaliada pela média da Área Metropolitana de Lisboa e passa a ser reconhecida pela sua realidade, o que lhe permitirá aceder, no próximo quadro comunitário, a taxas de cofinanciamento europeu substancialmente mais favoráveis. Mais do que o volume de fundos, o desafio identificado foi o da preparação, com a definição de prioridades claras e projetos maduros, prontos a arrancar no momento certo.
A sessão de encerramento, com o vice-presidente do Conselho Intermunicipal, Paulo Silva, e o Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, reforçou a leitura do dia: a criação da CIMPS foi o momento fundador, o Fórum foi o início do Plano Estratégico e o passo seguinte é a execução.
A CIM Península de Setúbal, constituída em dezembro de 2025, reúne os nove municípios da região: Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, num território de mais de 1.600 km² e uma população que se aproxima de um milhão de habitantes.