CIM da Península de Setúbal promove Fórum em Palmela sobre visão estratégica para a região
O encontro assinala o primeiro momento público de afirmação da nova CIM e da nova realidade estatística da região, agora desagregada de Lisboa. O Fórum marca o arranque da reflexão sobre os eixos estratégicos a ter em conta no próximo ciclo de fundos europeus e da estratégia para inverter a perda de cerca de dois mil milhões de euros por cada quadro comunitário, como tem vindo a acontecer.
No próximo dia 30 de junho, o Cine-Teatro S. João, em Palmela, recebe o Fórum «Península de Setúbal — Uma Visão Estratégica para a Região», o primeiro grande encontro público da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal.
Constituída em dezembro de 2025, a nova CIM reúne os nove municípios da região — Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Palmela, Setúbal e Sesimbra — e assume como missão construir uma voz comum para um território com mais de 800 mil habitantes. Mais do que uma sessão institucional, o Fórum assinala a preparação de uma agenda estratégica regional e pretende posicionar a Península de Setúbal no próximo Quadro Comunitário.
A criação da CIM vem corrigir uma distorção que durou uma década: a de uma região pobre tratada, no acesso aos fundos europeus, como se fosse rica. Durante mais de dez anos, a Península de Setúbal esteve integrada, para efeitos estatísticos, na Área Metropolitana de Lisboa. Avaliada pela média da única região portuguesa com rendimentos acima da média europeia, a Península — cujo PIB por habitante não chega a 55% dessa média — foi classificada como «região desenvolvida» e ficou afastada dos fundos de coesão dirigidos às regiões mais pobres.
O custo dessa distorção está quantificado. Um estudo da Associação da Indústria da Península de Setúbal estima em cerca de dois mil milhões de euros, por cada quadro comunitário, os fundos que a região deixou de captar. Ao limitar as taxas de comparticipação europeia disponíveis, a integração em Lisboa travou o investimento público estruturante e reduziu a capacidade de atrair investimento privado para o território.
O novo enquadramento da CIM abre caminho, no quadro comunitário pós-2030, a um programa regional próprio e a taxas de cofinanciamento mais favoráveis. É uma etapa decisiva para concretizar investimentos estruturantes em mobilidade, infraestruturas, qualificação, emprego, inovação e coesão territorial. O Fórum reúne, em torno de uma visão estratégica para a região, o Governo, a administração regional, as autarquias, as instituições públicas, os agentes económicos, as universidades e as associações do território. O objetivo é definir uma agenda comum, articulada com os instrumentos de financiamento europeus e nacionais, em torno de quatro desafios centrais: a qualificação e a atração de talento, a transição digital, a transição energética e a economia circular.
Essa visão assenta em quatro pilares — a consolidação da Península de Setúbal como zona industrial de referência, a redução das assimetrias internas e metropolitanas, a transição verde e uma governança intermunicipal colaborativa. Do encontro deverá resultar uma agenda estratégica regional, com a identificação de projetos âncora e de investimentos prioritários, capaz de reforçar a posição da região nas decisões nacionais e europeias e de criar uma plataforma permanente de diálogo entre os seus agentes.
A sessão de abertura contará com intervenções da presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, da presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, do Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, e do presidente da CIM da Península de Setúbal, Frederico Rosa. Ao longo do dia, o debate percorrerá os principais desafios e oportunidades da região: fundos europeus e governação multinível; competitividade económica e transição energética; qualificação e formação profissional; agricultura sustentável, setor vitivinícola e turismo. Um dos painéis será dedicado às infraestruturas estratégicas, como aeroporto, terceira travessia do Tejo, ferrovia, portos, rede rodoviária e mobilidade metropolitana e intermunicipal.
Entre os participantes estarão representantes da Agência para o Desenvolvimento e Coesão, CCDR-LVT, Área Metropolitana de Lisboa, AISET, Mota-Engil, FCT/NOVA, Instituto Politécnico de Setúbal, IEFP, Egas Moniz, ATEC, ADREPES, ArtesanalPesca, Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, ICNF, Infraestruturas de Portugal, Ordem dos Engenheiros, Transportes Metropolitanos de Lisboa e Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.
«Este fórum é o primeiro passo público da nossa comunidade e o início de uma conversa que a região nunca teve em conjunto: decidir, a nove, o que queremos ser nas próximas décadas», afirma Frederico Rosa, presidente da CIM da Península de Setúbal. «Não viemos celebrar uma estrutura; viemos começar a trabalhar na estratégia que vai fundamentar a negociação dos próximos fundos europeus e transformar a nova realidade estatística da Península em investimento concreto.»
A sessão de encerramento estará a cargo de Paulo Silva, vice-presidente do Conselho Intermunicipal, com uma intervenção dedicada aos próximos passos para a construção da Agenda Estratégica Regional.
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