D. Afonso IV visita Feira Medieval de Palmela de 25 a 27 de Setembro
Corre o ano de 1348 e o Rei de Portugal D. Afonso IV, acompanhado da rainha e do príncipe D. Pedro, decide visitar a vila e o Castelo de Palmela, não para dar um bom passeio, mas sim para confirmar a nova delimitação do concelho e lembrar aos seus habitantes a importância da fortaleza na defesa da região, sob o controle da Ordem de Santiago.
Este é o “enredo”, fictício, que faz a história da edição de 2026 da Feira Medieval de Palmela, dedicada ao tema «Palmela, D. Afonso IV e a Ordem de Santiago (1340-1348)». O certame está marcado para o fim de semana de 25 a 27 de setembro, numa iniciativa da Câmara Municipal de Palmela.
O Rei, porém, vem a Palmela com mais uma missão. O soberano quer comemorar na vila e no altaneiro castelo o sucesso luso na Batalha do Salado, onde pelejou de armas na mão lado a lado com os homens da Ordem de Santiago. Nobres da corte, clérigos, freires de Santiago, homens-bons do concelho e demais gentes de Palmela desfrutam da festa e da feira, entre manjares, músicas, jogos e outros folguedos.
A primeira edição da Feira Medieval de Palmela realizou-se em 2014 com o objetivo de consolidar a imagem de Palmela associada à história e ao património diferenciando-se na abordagem à narrativa histórica enquanto produto turístico.Com esta iniciativa, a autarquia quer, ainda, entre outros objetivos, valorizar o destino Palmela através da criação de oferta de experiências ligadas à história, à identidade, à cultura e à genuinidade do território.
O enquadramento histórico da Feira Medieval de 2026
O filho de D. Dinis e da rainha Isabel, D. Afonso IV, reina em Portugal (1325-1357). O seu governo é de centralização do poder, de conflitos interinos, mas também de desenvolvimento da marinha mercante e das primeiras explorações marítimas.
Na costa andaluza persistem as lutas contra os muçulmanos, que culminariam na Batalha do Salado (1340), na qual Afonso IV participou, com Castela, celebrando intensamente as glórias da vitória. A Ordem de Santiago, sob o comando do mestre Garcia Peres Escacho, fez parte dos contingentes desta intervenção militar.
A zona de Palmela, neste período, era essencialmente constituída por terras agrícolas e de pastoreio, mas tinha também ligações ao mar, pelas ribeiras que seguiam até à foz. Às vinhas, às searas, aos pomares, às hortas, à produção de mel, juntava-se a criação de gado, a caça, o pescado.
Com a nova delimitação do concelho (1343), que favoreceu Setúbal, Palmela sofreu em termos económicos. O Castelo de Palmela continuava, porém, o referente militar e simbólico mais poderoso da região Entre Tejo e Sado.
O espaço da vila era habitado por comunidades cristãs, judaicas e alguns muçulmanos forros. Nos poderes locais competiam as elites concelhias e a Ordem de Santiago, detentora do castelo, do convento, de igrejas e ermidas, de lagares, moinhos e de outras propriedades urbanas e rurais.
Nos inícios de 1348 a Peste Negra espalhava-se em Itália e França, chegando a Portugal em finais de setembro.
Toda a informação sobre a Feira Medieval de Palmela está disponível aqui.