Palmela saúda os 50 anos do parque Natural da Arrábida
A Câmara Municipal de Palmela aprovou, na reunião de câmara de 15 de julho, uma saudação ao 50.º aniversário da criação do Parque Natural da Arrábida.
Com a criação desta área protegida, em 28 de julho de 1976, foi dado, de acordo com o texto da saudação, «um passo determinante para a proteção, da fauna e flora locais, bem como dos valores geológicos, paisagísticos, históricos e culturais em presença».
Hoje, municípios, ICNF e AMRS, enquanto entidade gestora Arrábida enquanto da Reserva da Biosfera da Unesco, «encontram-se num momento fulcral de implementação da Reserva, através do seu Plano de Ação». Trata-se, segundo a saudação aprovada pela câmara municipal, de um «passo determinante para o futuro do território Arrábida», que evidencia a «pertinência» da classificação desta área natural pela Unesco, 50 anos depois, «enquanto vetor central de um projeto de desenvolvimento regional».
A saudação destaca ainda que, em conjunto com a Associação de Municípios da Região de Setúbal, foi possível construir, ao longo de dez anos, uma candidatura forte à Reserva da Biosfera, assente «quer em intensa investigação científica, quer num processo bastante participado pelos agentes locais e pela comunidade».
Saudação – 50.º Aniversário do Parque Natural da Arrábida
O Parque Natural da Arrábida, instituído a 28 de julho de 1976, está a celebrar o seu 50.º aniversário. Este meio século de classificação representa um longo percurso de trabalho na defesa e conservação desta área natural riquíssima, que associa a geologia ímpar da cordilheira da Arrábida à biodiversidade, com espécies de fauna e flora únicas no mundo.
A Constituição da República Portuguesa, cujos 50 anos também se assinalam em 2026, consagrou um novo olhar sobre o Ambiente, num tempo em que este tema estava, ainda, longe do destaque que viria a assumir mais tarde. De forma pioneira, a Lei Fundamental Portuguesa definiu direitos e deveres das entidades públicas, mas, também, das/os cidadãs/ãos, reconhecendo como Direito Humano essencial um Ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado.
A região da Arrábida, pelas suas características únicas, integrou o lote de áreas protegidas a constituir enquanto Parque Natural, classificação que veio reforçar algumas medidas preventivas decretadas na década de 40 do século passado. Em 1971, foi instituída a designada “Reserva da Arrábida”, que abrangia apenas a vertente sul da serra da Arrábida e as escarpas do Risco.
Com a criação do Parque Natural da Arrábida, foi dado um passo determinante para a proteção, da fauna e flora locais, bem como dos valores geológicos, paisagísticos, históricos e culturais em presença, ampliando a sua área de intervenção, e em 1998, a criação de uma área marinha entre a Arrábida e o Cabo Espichel alargou os objetivos de proteção do Parque também à flora e fauna marinhas da costa.
Mais recentemente, em 2025, a classificação da Arrábida enquanto Reserva da Biosfera da Unesco confirmou a importância do trabalho desenvolvido e estreitou o relacionamento institucional entre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e os municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal. Em conjunto com a Associação de Municípios da Região de Setúbal, foi possível construir, ao longo de dez anos, uma candidatura forte, assente quer na intensa investigação científica - que nos permitiu aprofundar o conhecimento sobre a região e descobrir novas espécies endémicas – quer num processo bastante participado pelos agentes locais e pela comunidade. Em vez de restringir o usufruto, a Reserva da Biosfera propõe a conservação e promoção deste território privilegiado, valorizando a simbiose entre as atividades humanas e a Biosfera, presente na Arrábida desde sempre. Atividades como a agricultura, a vitivinicultura, a pastorícia ou a pesca, o turismo desportivo ou de natureza, a educação ambiental, as festividades, o património arqueológico e os locais de culto dão testemunho da enorme importância desta relação e do seu contributo para a conservação do meio natural.
Hoje, municípios, ICNF e AMRS, enquanto entidade gestora da Reserva, encontram-se num momento fulcral de implementação da Reserva, através do seu Plano de Ação. Trata-se de um passo determinante para o futuro do território Arrábida, que evidencia a pertinência desta classificação, 50 anos depois, enquanto vetor central de um projeto de desenvolvimento regional.
O Município de Palmela associa-se às comemorações oficiais do 50.º Aniversário do Parque Natural da Arrábida, a convite do ICNF, com a dinamização de uma caminhada pela Serra do Louro no dia 1 de agosto, a partir das 19 horas. O percurso, de cerca de sete quilómetros e meio e um grau de dificuldade baixo, proporciona paisagens deslumbrantes no Vale dos Barris e Serras dos Gaiteiros e de São Luís, com a luz do por-do-sol, além da passagem pelo Castro de Chibanes e pelo Alto da Queimada, dois dos sítios arqueológicos mais importantes do nosso Concelho. Esta iniciativa municipal integra um programa comemorativo mais vasto e de natureza diversa, coordenado pelo ICNF, que pretende promover este património natural único junto das comunidades locais, e que convidamos a população do Concelho de Palmela a conhecer e a participar.
Reunida a 15 de julho de 2026, a Câmara Municipal de Palmela saúda o 50.º aniversário do Parque Natural da Arrábida e reafirma o seu compromisso com a defesa, gestão e preservação deste património comum, sublinhando a Arrábida como Laboratório Vivo de Sustentabilidade.