Livro “A Casa da Câmara do Concelho de Palmela” traz mais conhecimento sobre a História local
O livro “A Casa da Câmara de Palmela”, de Vitor Pereira e Carlos Caetano, foi lançado no dia 31 de outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, perante um público curioso e interessado na História local.
A sessão - que contou com as presenças dos autores e da Presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, que abriu a cerimónia, dando as boas-vindas às/aos presentes e teve a apresentação a cargo de Isabel Cristina Fernandes - integrou o programa comemorativo do Centenário da Restauração do concelho.
Trata-se de uma publicação que aborda a sede multissecular do poder concelhio e um dos mais emblemáticos símbolos do concelho, os Paços do Concelho. «Estamos perante um estudo muito completo de 137 páginas, que vem preencher uma lacuna na investigação sobre a história de Palmela. Nasceu uma obra que honra a Câmara, os seus eleitos, os seus funcionários e os habitantes de todo o concelho», referiu Isabel Cristina Fernandes.
Vitor Pereira começou por agradecer à equipa do Município pelo trabalho desenvolvido. «É com muito prazer que apresentamos esta obra, sobretudo nesta sala, que é a sala extraordinária que representa muito bem não só o concelho, não só o edifício da Casa da Câmara, mas representa o património do concelho», afirmou.
Carlos Caetano relevou os quase 950 anos de História de Palmela. «Muito poucos se podem gabar de uma data tão grande», disse e, entre outras considerações, sublinhou a transformação do património em tantos anos de História e a «capacidade de fazer e refazer, um dos fatores estruturantes do poder concelhio». Sublinhou, ainda, que esta sede do Poder Local e um monumento histórico fundamental «é uma das mais bonitas e conservadas Casas da Câmara de Portugal».
O livro “A Casa da Câmara do Concelho de Palmela” pode ser adquirido pelo valor de 10€ na Rede de Bibliotecas Públicas do Município e no Posto de Turismo, localizado no Castelo de Palmela.
O programa comemorativo do Centenário da Restauração, em curso, é organizado pelo Município e Junta de Freguesia de Palmela, Movimento Associativo e Comunidade Educativa. As comemorações enquadram-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis e 17 - Parcerias para a Implementação dos Objetivos.
Consulte o programa central aqui.
Investigação resulta em obra com quatro capítulos repletos de informação
No primeiro capítulo desta obra, sobre o território e o povoamento, descrevem-se aspetos geográficos, geológicos, administrativos e é destacada a importância da localização estratégica de Palmela. Evoca-se igualmente a envolvência rural e a Arrábida como pano de fundo deste concelho e o seu riquíssimo património natural.
Os autores fornecem uma visão geral da ocupação humana do território, com referência a sítios arqueológicos. Nas épocas Medieval e Moderna o foco é o Castelo de Palmela, centro nevrálgico da vida económica da região e reduto defensivo, foi sede da Ordem de Santiago, a partir do qual se formou Palmela. Dão-nos, ainda, conta dos testemunhos arqueológicos do desenvolvimento da vila, através de alguns dos vários sítios estudados no Centro Histórico.
No segundo capítulo os autores explicam a contextualização da criação dos concelhos. O seu significado político administrativo, judicial e económico e o seu papel determinante na organização e coesão do território nacional. Prosseguem, sobre o aperfeiçoamento da organização concelhia, nos séculos 14 e início do 17, dando particular relevância à intervenção manuelina, à qual devemos a reforma dos forais, de que Palmela também é exemplo.
Para os períodos Moderno e Contemporâneo, dão-nos notícia dos estragos do terramoto de 1755, da persistência das duas paróquias de Santa Maria e S. Pedro e das medidas reformistas e centralizadoras do governo liberal, com a sua expressão máxima na extinção do Concelho de Palmela.
No terceiro capítulo os autores começam por nos elucidar sobre o conceito de arquitetura concelhia que constitui o primeiro tema deste capítulo. Concluem pela possibilidade de já existir um Paço do Concelho neste local nos finais do século 14, muito provavelmente apenas com o piso térreo. Referem-se à reconstrução pós terramoto de 1755, ao restauro feito pelas autoridades de Setúbal em 1901. Dedicam várias páginas à praça na qual está implantada a Casa da Câmara, discutindo a localização, o alcance do conceito, as suas características e funcionalidades e comparando este espaço e os inerentes poderes com os do Castelo e os da Ordem de Santiago.
Por último, no quarto capítulo, Carlos Caetano e Vitor Pereira analisam e descrevem a arquitetura da Casa de Câmara.
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