Mais de 25 mil pessoas viveram tempos medievais em Palmela
Mais de 25 mil pessoas passaram pela 13ª edição da Feira Medieval de Palmela, entre 25 e 27 de setembro, um evento que decorreu maioritariamente no Castelo, espaço que Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal considerou, na cerimónia de abertura da feira, como, provavelmente, “um dos melhores do país” para acolher uma iniciativa destas.
A Feira Medieval contou com a participação de 36 companhias e grupos de animação com mais de 200 artistas, 137 voluntários para apoio à programação e figuração e ainda mais 25 voluntários que acompanham os cães que participaram nos desfiles programados.
Ana Teresa Vicente recordou, perante o público que assistiu à cerimónia de abertura realizada no Terreiro do Relógio, que foi no Castelo de Palmela que se viveram momentos de “grande importância, uma vez que este foi um monumento absolutamente estratégico na defesa não só desta região, mas também de Portugal”. A autarca realçou o facto de a velha fortaleza ter albergado a Ordem Militar de Santiago da Espada, que ali teve a sua sede durante quatrocentos anos, até ao século XIX.
A Feira Medieval, acrescentou Ana Teresa Vicente, é um “momento de festa e celebração, mas é também o momento para viver a memória de Palmela e, por isso, a Câmara Municipal abraçou este desafio de organizar este certame”, que se constitui como uma “verdadeira oportunidade para a aprendizagem viva sobre a história local”
Em 2026, do ponto de vista da monitorização e avaliação da atividade, foi dado um passo importante na organização do certame com a realização da contagem de visitantes e a aplicação de inquéritos de satisfação durante o evento. Estas ações, apontam os organizadores, permitiram recolher dados sobre o número de visitantes, bem como conhecer a sua experiência e perceção na Feira.
A iniciativa contou, ainda, com a estreita colaboração dos alunos voluntários dos cursos de turismo do concelho de Palmela, que tiveram participação ativa na recolha de informação e no acompanhamento da atividade turística.
El-Rei D. Afonso IV visitou Palmela
O cenário em que decorreu a Feira Medieval de Palmela foi o ano de 1348, com o evento a evocar, com um enredo fictício, uma visita de El-Rei D. Afonso IV, acompanhado pela rainha D. Beatriz e pelo príncipe D. Pedro, que rumaram a Palmela para confirmar os limites do concelho, reforçar a relevância da fortaleza sob a alçada da Ordem de Santiago e celebrar a vitória na Batalha do Salado.
Um dos pontos alto do programa foram os Cortejos Históricos que recriaram a faustosa entrada régia e a homenagem da população.
Ao longo dos três dias, a animação distribuiu-se de forma permanente por diversos espaços. Na Igreja de Santa Maria, a falcoaria da Ordem de Santiago demonstrou a arte nobre da caça e o domínio sobre a natureza. No Terreiro da Liça funcionou o Campo de Armas, onde cavaleiros e homens de armas realizaram treinos, torneios e exibições militares. A entrada da Feira foi dedicada ao lazer familiar com jogos tradicionais e carrosséis medievais. No Revelim Norte retratou-se a vivência dos Povoadores da Marateca, acolhendo também a forja viajante, o acampamento dos petizes e os animais da quinta. Já na Encosta do Revelim Norte, o cenário do bosque acolheu a representação encenada d' O Caminho da Peste, que expõe o medo e a exclusão vividos na época, além da atividade de Assalto ao Castelo. No Terreiro do Relógio estava a Albergaria do Castelo, assim como artesãos a trabalhar vários ofícios ao vivo. As Alamedas e a Praça de Armas acolheram a Feira Franca, recheada de mercadores, artesãos e bancas de restauração.
A Igreja de Santiago serviu de palco a momentos musicais eruditos, cantos corais e danças medievais, e espetáculos de marionetas, enquanto todo o recinto era animado por jograis, saltimbancos e músicos itinerantes, terminando na Praça de Armas e Revelim Sul com o Espaço Árabe e o seu souk tradicional.