Saúde mental em análise em seminário promovido pela Câmara Municipal de Palmela
A Câmara Municipal de Palmela promoveu, no dia 22 de outubro, um Seminário sobre Saúde Mental, com o lema «Sementes do Bem-Estar», numa iniciativa que resulta de uma parceria com a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).
Na sessão de abertura de quarta edição deste seminário, que decorreu, durante todo o dia, no Auditório Municipal de Pinhal Novo - Rui Guerreiro, a presidente da Câmara Municipal de Palmela relembrou que a autarquia leva «muito a sério» as questões da saúde ocupacional. Este «é um grande desafio numa organização com cerca de 1300 pessoas com funções muito diferentes, com formações muito diferentes, com realidades de vida muito diferentes, com locais de trabalho muito diferentes» disse Ana Teresa Vicente.
Perante um auditório quase esgotado, a autarca referiu, de «forma mais lata», outras medidas de valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da Câmara Municipal, «que têm, por exemplo, tradução direta em ações de formação profissional ou nas medidas de valorização remuneratória». Esta é uma opção da gestão municipal e, no «nosso caso, aplicamos todas aquelas que contribuem para melhorar a remuneração de quem trabalha na autarquia, bem como medidas de conciliação entre as dimensões profissional, familiar, pessoal». Tudo aquilo, acrescenta Ana Teresa Vicente, que «pode contribuir para que a vida do dos trabalhadores e das trabalhadoras na organização seja mais feliz».
O diretor do Centro local de Setúbal da ACT, outro dos intervenientes na sessão de abertura do encontro, considerou «particularmente gratificante ver uma autarquia da nossa região mobilizar instituições e profissionais em torno deste tema».
João Tavares recordou que, em Portugal, se «estima que o stress e os problemas de saúde psicológica representem uma perda de produtividade que pode atingir 13,3 mil milhões de euros por ano». Além disso, estima-se também que, por trabalhador estes valores possam corresponder a 13,5 dias anuais de absentismo e a 27 dias de «presentismo», ou seja, «situações em que a pessoa até está presente no seu local de trabalho, mas não consegue produzir plenamente devido ao stress ou problemas de saúde psicológica». Sabe-se ainda, de acordo com este responsável da ACT, que quase dois em cada cinco trabalhadores referiram ter sido afetados por problemas de saúde psicológica relacionados com o trabalho, o que «são números impressionantes».
À escala mundial, João Tavares revelou que a Organização Internacional do Trabalho estima que fatores de risco psicossocial estejam associados a mais de 440 mil mortes por ano, «números que nos mostram que estamos perante um enorme desafio humano, social e organizacional».
Essa é uma das razões que faz da prevenção um fator tão importante e é «precisamente esta a perspetiva que a ACT procura promover: integrar riscos psicossociais na prevenção, tal como se faz ou deve fazer com todos os restantes riscos profissionais».
Os trabalhos do Seminário «Sementes do Bem-Estar» arrancaram, depois da sessão de abertura, com uma apresentação de Emília Telo, representante do Ponto Focal Nacional da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho da ACT, sobre o tema «Juntos pela Saúde Mental no Trabalho – Riscos Psicossociais», a que se seguiu um momento de teatro, dedicado a «Riscos Invisíveis, Impactos Reais».
João Afonso, diretor criativo na Praxisd, apresentou «Brave New World: Ergonomia Cognitiva para um Novo Mundo do Trabalho», a que se seguiu uma intervenção intitulada «Psicologia para não Psicólogos», por Margarida Segurado, psicóloga clínica da Câmara Municipal de Palmela.
Liliana Pitacho, professora adjunta no Departamento de Comportamento e Recursos Humanos da Universidade Politécnica de Setúbal, dedicou uma intervenção ao tema «Quando Cuidar É Cultura e Não Moda – O Papel das Organizações no Bem-Estar».
A parte da tarde abriu com a intervenção «A Influência da Música na Mente», por Margarida Quítalo, professora de formação musical na Academia de Música Luísa Todi e no Conservatório Regional de Palmela. Logo a seguir, Mariana Lourenço, fisioterapeuta na Palmela Desporto, abordou os «Benefícios da Atividade Física na Saúde Mental». Maria João Manzano, médica do trabalho na Câmara Municipal de Palmela, encerrou a iniciativa com uma apresentação sobre «A Genética dos Ritmos Circadianos e Epigenética».